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O que pudemos aprender no South by Southwest (SXSW), o maior evento de inovação do mundo

O que pudemos aprender no South by Southwest (SXSW), o maior evento de inovação do mundo

Quando fiz minha inscrição no SXSW, pouco sabia o que esperar, além de que se trata de um evento que cresce a cada edição, possui um foco muito forte em inovação e criatividade, e acontece em uma cidade bem pouco atraente dos EUA.

Lá chegando, me deparei com cerca de 300 mil inscritos que percorrem a cidade de Austin, no Texas, por diversos locais onde as sessões acontecem em 28 tracks (trilhos de temas) simultâneos, ao longo de uma semana muito intensa.

O clima do Vale do Silício impregnava a cidade, com pessoas de diversas gerações presentes nas mesmas sessões, numa demonstração viva de que a busca pela atualização pessoal e profissional, calcada em inovação, não tem idade.

Além disso, centenas de patinetes elétricos e bicicletas de aluguel dividindo as ruas com ônibus e carros locais, calçadas infestadas de gente feliz e com brilho nos olhos… sim, o brilho nos olhos era uma característica que se destacava, unânime, naquela experiência.

Das várias opções de palestras no SXSW, acabei optando pelos tracks Health and Medtech, Entrepeneurship and Startups, Intelligent Future, Social and Global Impact e Tech Industry and Enterprise. Uma escolha difícil, com tudo isso acontecendo simultaneamente. E só pelo fato de eu não ter conseguido ver tudo o que queria, já me dá vontade de voltar no próximo ano.

Persigo no momento o desafio de sintetizar, neste artigo, tudo o que captei por lá. Quais ideias e insights podem ser valiosos para a Funcional e especialmente, para os nossos clientes. De forma geral, posso dizer que fiquei feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz ao constatar que no Brasil, estamos no caminho certo, poucos passos atrás dos EUA ao menos no que se refere a conceitos. E triste, pois ainda temos uma longa estrada a percorrer para a identificação das ‘balas de prata’ que irão tornar o nosso setor sustentável; se é que elas existem…

Muito se falou sobre a Medicina Personalizada que, baseada nos novos sequenciamentos do genoma humano, juntamente com real world data (os dados do mundo real) e análises preditivas, irão transformar fortemente o atendimento médico em si. Uma das preocupações relacionadas a isso reside na possibilidade de boa parte dos médicos não estar preparada para essa transformação, que deve acontecer nos próximos dez anos.

E nesse cenário, o que falar das operadoras de planos de saúde, que ditam como o setor é remunerado? Um fato concreto é que elas precisam se reinventar… e rápido.

Pela primeira vez, escutei palestras sobre blockchain não vinculado a criptomoeda. Ufa! Finalmente, o indivíduo vai poder controlar seus dados dando e retirando acesso às suas informações a qualquer tempo e para quem ele quiser. Esse tema parece futurista, mas não é.

Claro que a questão da privacidade de dados esteve presente o tempo todo no SXSW. Muito cuidado tem sido dedicado ao tema, sendo certo que os marcos regulatórios de cada país irão contribuir muito no curto prazo, mas precisarão ter flexibilidade para se modificarem ao longo do tempo, no ritmo do avanço das tecnologias, que é constante e inexorável.

Por fim, para fechar em mais um grande tema do SXSW, os gestores precisam aceitar que Machine Learning não é um bicho de sete cabeças, mas sim uma nova linguagem computacional em que, ao invés de darmos instruções ao computador, fornecemos algoritmos para que processe. Quem ganha com isso são os gestores, que receberão impulso nas suas horas dedicadas à análise e à tomada de decisão, em vez de perderem tempo com intermináveis listas e planilhas.

E depois deste volume de provocações, como ficamos?

Sinceramente, acho que estamos no caminho. Quem ainda não está alinhado com essa nova ordem, terá de se adaptar; e quem teimar em ir contra essa onda de inovação certamente vai se afogar.

A rápida evolução da tecnologia e o impulso das novas linguagens computacionais já interferem no nosso dia-a-dia: quando assistimos um filme na Netflix, escolhemos uma música no Spotify ou usamos o Waze para chegar mais rápido a algum lugar. Agora, é a hora de aplicarmos essas inovações, em larga escala, na saúde. Inteligência de dados e serviços de gestão para a cadeia de saúde – operadoras, indústria farmacêutica, distribuidoras, classe médica e pontos de venda – é o nosso negócio. Embarque conosco rumo ao futuro.

Baixemos as guardas e experimentemos o novo!

*Ricardo Ramos é VP da área de Health Analytics, na Funcional Health Tech.

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